Será que estou sendo enganado?

Tempo de leitura: 6 minutos

     A oportunidade se apresentava única, pelo menos é o que eu pensava e sentia que podia ser uma grande chance de eu mudar de vida e digamos ser dono do meu próprio negócio.

    Era um Posto bem cuidado, aparentemente com boas vendas de combustível, uma loja de conveniência razoável… Certo, algumas coisas pareciam que podiam ser melhoradas, mas como todo iniciante sempre temos idéias inovadoras e otimistas. Enfim, tudo estava dentro do planejado, valor disponível para fazer o negócio e uma grande perspectiva de um futuro mais promissor. Entretanto uma pergunta não saia da minha cabeça. Por que o dono  do posto estava vendendo um negócio que aparentemente estava dando lucro? Eu pensava comigo, se fosse eu não o venderia, mas também pensava com meus botões, vai ver que ele quer fazer outra coisa, vai ver que ele descobriu que não é isso que ele quer da vida e aí vinha uma série de dúvidas e justificativas…

    Como uma boa regra eu procurava me manter frio diante das negociações sem mostrar minha ansiedade, nem sei se estava conseguindo, mas para ter uma posição mais vantajosa esse era o meu comportamento diante do dono. Quem sabe não conseguia baixar um pouco o preço e ter já de início uma bela vantagem de caixa! Esse  era o meu objetivo, mas eu estava ansioso e porque não dizer com muito, muito medo. Afinal eu ia investir tudo que eu tinha conseguido na minha vida até agora. E o mais complicado, uma maldita voz que me cutucava a toda hora – Será que estou sendo enganado?

    Eu precisava a todo custo saber a verdade. Mas não sabia por onde começar. O fato, é que eu não sabia nada sobre Postos de Combustíveis a não ser que vendiam exatamente combustíveis, gasolina, álcool, óleo, etc… Sem falar nos salgadinhos e outras coisas mais na loja de conveniência.

   Como eu sempre me virava  e aprendia rápido, acreditava que no final tudo ia dar certo! Comecei então a procurar tudo que podia sobre postos de combustíveis. Então me deparei com tantas informações, tantas regulamentações e quer saber, fiquei mais perdido do que cego num tiroteio. Bateu aquele desespero e pensei comigo, vai que é por causa disso que o dono do posto quer vender. A Internet é uma maravilha, mas tem hora que esse mar de informações que é disponibilizado para a gente acaba nos afogando. Mas estava disposto a entender desse assunto. Li algumas coisas  que pareciam razoáveis e tive a ideia de conversar com o dono para ver se detectava alguma irregularidade e então não cair numa armadilha. Olha só, tudo estava se transformando numa enorme batalha e na minha cabeça só ficava a determinação de descobrir o que estava escondido.  Meu foco mudou completamente e agora eu ficava procurando uma justificativa para não me arriscar. Um conflito difícil estava se instalando na minha cabeça e eu precisava ter certeza pois, era o meu sonho que estava diante de mim, mas  por outro lado  o medo de perder tudo, de voltar a estaca zero  vinha a todo momento como se fosse uma intuição daquela mais profunda que me deixava cada vez mais com medo. Nem conseguia imaginar tamanha tragédia! Minto, imaginava sim!

     Enfim, mesmo com esta situação conflituosa, precisava tomar uma decisão: Vou ou não vou em frente? Passei um final de semana inteiro pensando e analisando, conversando, até dei uma pequena visitinha, sem pretensão alguma claro, naquele que seria o meu primeiro passo e o meu primeiro investimento da minha vida. Aparentemente tudo estava certo, a coisa estava funcionando perfeitamente. Isto me animou e pensei, mas por que estou com tanto receio? Vejamos o fato, a estrutura do posto parece correta, as pessoas estão abastecendo e até onde sei nunca ninguém tinha tido problema com o combustível daquele posto, pelo menos estas informações eu tinha verificado olhando o histórico dele. Não havia nada de protesto ou autuação do Procon ou coisa parecida. E tinha mais  um ponto que confirmava o fato: Os clientes estavam vindo e estavam aparentemente satisfeitos, ou será que eles não tinham opção de abastecimento? Pronto pintava mais uma dúvida. Mas isto era fácil de checar. Era só olhar se tinha concorrência por perto e logicamente fazer uma visita para comparar e ver como as coisas estavam funcionando.

    Naquele mesmo dia, a primeira coisa que fiz foi olhar ao redor e ver se tinha algum posto visível na rua, na verdade na esquina, pois este posto era de esquina e então tinha duas ruas que se encontravam e olhando pelas duas não avistei nenhum posto que eu pudesse detectar visualmente. Bom, isto tinha mais um lado positivo, o posto que eu queria comprar não tinha concorrência por perto. Talvez então explicasse o bom fluxo de clientes. Foi então que tive um pensamento: Eu preciso checar o potencial deste negócio! Quantas pessoas vivem ao redor? Tem empresas grandes por perto? Qual é nível sócio econômico da população que vive ao redor? E se pintasse uma concorrência o que aconteceria com meu fluxo de clientes? Perguntas, perguntas, muitas perguntas, algumas fáceis de responder e outras nem tanto. Todas as respostas viriam por pura pesquisa pessoal, checando os arredores e procurando evidências que comprovassem a minha hipótese. Passei quase uma semana pesquisando, anotando tudo que via, as empresas ao redor, os tipos de carros que circulavam na rua, as casas das pessoas que moravam nas proximidades e tudo isso me deu uma ideia de qual era o potencial que existia naquele local. Mas o grande problema era o quanto eu podia confiar nas minhas observações e conclusões, afinal era um julgamento totalmente baseado em meus sentimentos. Que dados podiam confirmar meus resultados provenientes de mera constatação visual?  Sinceramente, nem tinha como checar isto e então ficou mesmo naquilo que vi e compreendi como sendo a realidade local.  O fato é que parecia um bairro com grande perspectiva de crescimento e havia ainda rumores de que um grande viaduto próximo a estrada estava previsto, aumentando mais ainda o fluxo e a dinâmica do trânsito local. Tudo isto era muito animador e cada vez mais me entusiasmava e estava disposto a concretizar o negócio. Mas aquela pergunta, por que o dono queria vender o posto com tamanha perspectiva me deixava muito intrigado… Foi então que percebi que não tinha feito esta pergunta à pessoa diretamente.

Já fazia um mês que estávamos conversando e nos reunindo e discutindo os detalhes e eu querendo sempre saber mais, acho até que o dono do posto estava já um pouco impaciente, pois ele queria fechar o negócio o mais rápido possível, mas eu não me sentia ainda seguro suficiente para concluir. Quando perguntei a ele por que ele queria vender um negócio que aparentemente tinha uma grande perspectiva de crescimento ele me disse que….

      CONTINUA NO PRÓXIMO POST…